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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Duas mulheres são atacadas por agulhas nas Estações Penha e Sé


Duas mulheres relataram terem sofrido ataques com agulhas no Metrô de São Paulo dia 05/08/2016, na Estação Penha, na Zona Leste, e na Estação Sé, na região central. A policia prendeu dia 31/07/2016 um homem acusado de atacar jovens com seringa na região central e oeste da cidade. 

Uma das vítimas, de 35 anos, que não foi identifcada pelos policiais, disse ter sido surpreendida com uma agulhada na região da lombar enquanto desembarcava na Penha por volta das 19h30. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi atacada enquanto andava pelo túnel de acesso à Avenida Radial Leste. Mais cedo no mesmo dia, a auxiliar de limpeza Lucimar Lopes, de 42 anos, sofreu ataque parecido na Sé, na plataforma de embarque para a Linha 1-Azul, perto do meio-dia. Nos dois casos, as composições estavam cheias e as vítimas não conseguiram identificar os agressores. 

Ao se assustar com a picada, a vítima atacada na Penha disse que olhou para o lado e viu uma mulher com "um sorriso de deboche", mas não soube dizer aos policiais se ela havia de fato deferido o golpe. A mulher sacou o celular, fez duas fotos da suposta agressora e acionou a segurança do Metrô. A acusada foi chamada para prestar esclarecimentos, mas negou a versão, segundo o delegado titular da 6ª Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), Fernando Azevedo. A vítima será chamada para prestar novo depoimento nas próximas semanas.   

A auxiliar de limpeza lembra do momento em que sentiu uma forte picada abaixo da coxa da sua perna esquerda enquanto pegava baldeação para a Linha 1-Azul, na Estação Sé. "Eu coloquei a mão no lugar e senti arder. Não consegui identificar o que foi e nem quem fez", disse à Veja São Paulo na 6ª Delpom na tarde de 09/08/2016 ao registrar o boletim de ocorrência. 

O delegado Azevedo disse que solicitou as imagens das câmeras de segurança ao metrô e o exame de corpo de delito da vítima da Penha, mas descartou relação com os outros ataques. "Nenhuma delas falou ter visto uma seringa", diz. O homem preso na semana passada tinha uma seringa no bolso quando os policiais o abordaram na região da avenida Paulista, onde a maioria dos casos pelos quais é acusado foi registrado. Foram mostradas fotos do acusado às mulheres, mas elas não o reconheceram, segundo a polícia. A ligação entre os casos não está descartada. 

As duas mulheres foram submetidas a tratamentos com coquetéis de remédios, entre ele, anti-retrovirais. "Fiquei em choque. Como eu trabalho em um posto de saúde, me encaminharam a um médico, fiz exames de sangue e estou tomando remédios", disse Lucimar.

Fonte da Notícia: Veja São Paulo

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Violência contra as mulheres é tema da exposição "Rio de Paz: Nunca me calarei" na Estação da Luz

Uma exposição inédita no Metrô de São Paulo promete impactar os usuários. "Rio de Paz: Nunca me calarei" está em cartaz na Estação Luz, das Linhas 1-Azul e 4-Amarela, de 05 a 25/08/2016.  A mostra tem como tema a violência contra mulher.

São 20 painéis fotográficos, de 2m x 2m, de autoria do fotógrafo carioca Márcio Freitas, que se preocupa em expressar nas imagens sentimentos como angústia, trauma e vergonha, carregados por quem é vítima da violência doméstica.

O ensaio foi feito com o intuito de produzir um manifesto de apoio e encorajamento às mulheres, e incentivá-las  a denunciar as agressões sofridas e reivindicar dos órgãos competentes proteção, acolhimento às vítimas e combate à impunidade dos autores das brutalidades.

As fotos do projeto "Nunca me calarei" ganharam prestígio durante atos contra a violência promovidos pela ONG Rio de Paz em São Paulo e no Rio de Janeiro em Junho de 2016, e já foram expostas no vão livre do Masp, na capital paulista,  e na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Fonte da Notícia: Metrô

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Homem é preso após cometer abusos sexuais na Linha 3-Vermelha

Câmera de segurança flagrou momento em que suspeito de abuso foi detido (Foto: Reprodução/TV Globo)
Momento em que o estuprador é preso na Linha 3-Vermelha
Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem é detido por abusar sexualmente de uma mulher no Metrô de São Paulo. Ele e outro suspeito foram presos dia 23/05/2016 por seguranças à paisana em diferentes trechos da Linha 3-Vermelha, por volta das 8h.

No vídeo, o suspeito é visto sendo imobilizado por seguranças do Metrô. Na sequência, a passageira vítima do abuso aparece chorando. Ela foi protegida e levada para a delegacia para registrar queixa.

O caso registrado em vídeo aconteceu entre as Estações Belém e Dom Pedro II. Já a segunda prisão aconteceu no trecho entre as Estações Brás e Sé. Os homens aproveitaram que estavam em vagões cheios para tocar e encostar seus corpos nos corpos das vitimas. Eles foram detidos assim que desembarcaram.

As vítimas e os dois homens foram levados para a Delpom.

Fonte da Notícia: G1-SP
Imagem: Reprodução TV Globo

terça-feira, 24 de maio de 2016

Dois homens são detidos após abusarem sexualmente de uma mulher na Linha 3-Vermelha

Dois homens foram detidos suspeitos de abuso sexual de mulheres no Metrô de São Paulo, na manhã de ontem (23/05/2016). Os dois casos aconteceram por volta de 8h, na Linha 3-Vermelha, e foram percebidos por agentes de segurança que circulam à paisana nos trens.

De acordo com o Metrô, o primeiro caso ocorreu dentro de um trem no trecho Belém-Pedro II. O outro caso ocorreu em um trem que fazia o trecho Brás-Sé.

Os agentes perceberam a ação e informaram, via rádio, a segurança uniformizada, que fez a detenção dos suspeitos

As vítimas e os dois homens foram levados para a Delpom

Denúncia

Se você for vítima ou se perceber um caso de assédio nos trens, procure imediatamente um funcionário do Metrô ou da CPTM na estação mais próxima. As denúncias também podem ser feitas por meio de SMS. O número é (11) 97333-2252.

Casos dobram

Casos de assédio sexual em trens do Metrô e da CPTM dobraram nos últimos 4 anos. O número de casos de assédio passou de 80, em 2011, para 168, em 2015. Nesse período, foram registrados dez estupros e 564 suspeitos acabaram detidos.
 
Fonte da Notícia: G1-SP
Imagem: Metrô

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Abusos sexuais no Metrô e na CPTM crescem 62% entre Janeiro e Março de 2016

"Assediar mulheres nas ruas só faz de você um imbecial nojento": Grupo de mulheres fez ato contra o assédio em vagões do Metrô de São Paulo em outubro de 2015O número de casos de abuso sexual nos trens e nas estações do Metrô e da CPTM registrados pela Polícia Civil de São Paulo aumentou 62% entre o primeiro trimestre de 2015 e o mesmo período deste ano.

Em um ano, a quantidade de ocorrências relacionadas ao assédio sexual de mulheres no sistema metroviário saltou de 34 para 55. É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Delpom, da Polícia Civil, obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527 (Lei de Acesso à Informação).

Essa delegacia é responsável por registrar e investigar os casos de abuso sexual no sistema metroviário ocorridos em toda a capital paulista. Não estão computadas nesse levantamento eventuais ocorrências de violência sexual registradas por passageiras da CPTM em delegacias de outras cidades da Grande São Paulo.

A reportagem tabulou os termos circunstanciados (documentos expedidos pela polícia ao registrar delitos leves) e os boletins de ocorrência com as três naturezas criminais mais tipificadas pela Polícia Civil em relação ao abuso sexual: importunação ofensiva ao pudor (contravenção penal que, por lei, não resulta em prisão) e os crimes de violação sexual mediante fraude (com pena prevista de dois a seis anos de prisão) e estupro (com pena estipulada de reclusão de até dez anos).

De acordo com a Delpom, entre o primeiro trimestre de 2015 e o mesmo período deste ano, o número de termos circunstanciados de importunação ofensiva ao pudor registrados saltou de 33 para 54. Em cada um desses períodos, foi contabilizado um único caso de violação sexual mediante fraude. Em nenhum deles, houve registro de estupro.

Campanhas de conscientização

O aumento das ocorrências de abuso sexual no sistema metroviário confirma uma tendência verificada desde que o metrô e a CPTM iniciaram, em 2014, campanhas para incentivar mulheres a denunciar os casos de abuso sexual sofrido por elas nos trens e nas estações. 
Entre 2013 e 2014, a quantidade de casos saltou de 94 para 150. No ano passado, foram registrados outros 181. Isso representa quase o dobro do número contabilizado antes do início das campanhas.

Questionados sobre o aumento de casos verificado em 2016, a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o metrô e a CPTM atribuíram isso às campanhas de conscientização.

A Secretaria da Segurança disse em nota que os casos de importunação ofensiva ao pudor no sistema metroviário "tem aumentado por causa de campanhas de conscientização, da intensificação do trabalho policial para reduzir a subnotificação das ocorrências, além do crescente número de usuários no sistema ferroviário".

O Metrô informou, também em nota, que, entre 2014 e 2015, realizou duas campanhas diferentes de conscientização, e que o aumento do número de denúncias já era esperado como resultado desse trabalho.

A CPTM disse ainda que, em 2015, em 98% dos casos em que os molestadores foram identificados, eles foram levados à delegacia e as vítimas registraram boletins de ocorrência.

Informação é essencial

Para o especialista em segurança pública Jorge Lordello, trabalhos como os realizados pelo metrô, CPTM e polícia podem, de fato, levar ao aumento de denúncias. "As pessoas são carentes de informação. Quando mais elas conhecem o seu direito, maior será o número de casos levados à polícia", diz.

De acordo com o especialista, por esse motivo, o aumento da quantidade de ocorrências de abuso sexual no sistema metroviário tende a subir ainda mais.

Com relação à punição dos suspeitos, Lordello afirma que somente uma mudança na lei, aumentando a pena prevista para quem hoje é enquadrado por importunação ofensiva ao pudor, poderia inibir a ação dos "encoxadores". "Para muitos brasileiros, assinar um termo circunstanciado e nada é a mesma coisa. Nem a multa nem o pagamento de uma cesta básica, quando há condenação, são entendidos como punição."  

Fonte da Notícia: UOL
Imagem 1: UOL
Imagem 2: Metrô

terça-feira, 29 de março de 2016

Abusos sexuais são cometidos no Metrô e na CPTM a cada dois dias

Trens do metrô e da CPTM têm um caso de abuso sexual a cada dois dias Os trens do Metrô e da CPTM registraram, em 2015, uma média de um caso de abuso sexual a cada dois dias.

Entre Janeiro e Dezembro de 2015, foram contabilizados 181 casos, o que equivale a um aumento de 21% em relação às 150 ocorrências registradas em 2014.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Delpom, da Polícia Civil, obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527 (Lei de Acesso à Informação).

Essa delegacia é responsável por registrar e investigar os casos de abuso sexual no sistema metroviário ocorridos em toda a capital paulista.

Não estão computados nesse levantamento eventuais ocorrências de violência sexual registradas por passageiras da CPTM em delegacias de outras cidades da Grande São Paulo.

A reportagem tabulou o número de boletins de ocorrência com as três naturezas criminais mais tipificadas pela Polícia Civil em relação ao abuso sexual: importunação ofensiva ao pudor, que, pela lei brasileira, não é crime, mas sim uma contravenção penal (delito de menor gravidade, que não prevê prisão em caso de condenação de um acusado), e os crimes de violação sexual mediante fraude e estupro.

Entre 2011, quando foram registrados 90 casos de abuso sexual nos trens do Metrô e da CPTM na cidade de São Paulo, e 2015, o número total de casos de abuso sexual nos trens do Metrô e da CPTM dobrou.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, diretor do Decade, responsável pela Delpom, o que leva a polícia, na prática, a classificar uma situação de abuso sexual no transporte público como contravenção ou crime “é a análise do caso concreto feita pelo delegado, tendo por base a gravidade da situação e o fato de o acusado ter agido ou não com violência”.

“Há todo tipo de abuso sexual nos trens. As situações em que o sujeito encosta na mulher são, na maioria das vezes, importunação [ofensiva ao pudor]. Agora, há casos em que o homem chega a ejacular. Aí é estupro direto. [A classificação] Depender da gravidade”, explica o delegado.

A lei brasileira estipula penas bem diferentes para cada uma dessas condutas: apenas o pagamento de multa para a importunação ofensiva ao pudor, prisão de dois a seis anos para a violação sexual mediante fraude e de seis a dez anos em caso de estupro.
Trens do metrô e da CPTM têm um caso de abuso sexual a cada dois dias

Maioria dos casos é considerada delito leve

Dos 181 casos de abuso sexual nos trens do Metrô e da CPTM registrados em 2015, 94% deles (171) foram classificados pela Polícia Civil como importunação sexual mediante fraude; sete foram considerados violação sexual mediante fraude (4% do total) e apenas três (2%), estupro.

O fato de a grande maioria dos casos de abuso sexual ser classificada como delito de menor gravidade ocorreu em todos os cinco anos com estatísticas analisadas pela reportagem, tanto no Metrô quanto na CPTM).

Em 2011, por exemplo, a CPTM registrou 27 casos de importunação sexual, um de violação sexual mediante fraude e nenhum de estupro. No mesmo ano, no Metrô, foram contabilizadas 60 ocorrências de importunação, duas de violação sexual mediante fraude e nenhuma de estupro 

Na avaliação do jurista e professor de direito penal Luiz Flávio Gomes, isso só ocorre porque a lei brasileira não prevê, concretamente, um crime intermediário entre a importunação e o estupro.

“Pela lei, a importunação ofensiva ao pudor pressupõe que não haja toque físico. Um exemplo disso é a situação em que o homem chama a mulher de bunduda, gostosa ou qualquer outra forma que a ofenda”, diz Gomes. “Havendo toque físico, qualquer que seja ele, é estupro.”

De acordo com o jurista, o fato de o estupro ter uma pena muito alta faz com que a polícia e o próprio Poder Judiciário classifiquem os casos de abuso sexual de outras formas. Assim, eles evitam que as “encoxadas” praticadas no transporte público sejam punidas como estupro.

“Deveria ser criado o crime molestamento sexual, com pena de dois a seis anos, como está previsto na reforma do Código Penal, em tramitação no Senado. Como ele ainda não existe, as autoridades hoje ‘forçam a barra’, enquadrando casos de abuso sexual como violação sexual mediante fraude e importunação, quando não o são.”

Pela lei, diz Gomes, a violação sexual mediante fraude se aplica a casos em que o suspeito mente para a vítima, passando-se por outra pessoa, para levá-la a fazer sexo ou praticar outro ato libidinoso com ele, por exemplo. “Não vejo como isso pode ocorrer no transporte público.”

Polícia credita aumento de casos à queda de subnotificação

A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que “os casos de abuso sexual no sistema metroviário têm aumentado, ano após ano, conforme aumento do número de passageiros e a intensificação do trabalho policial para reduzir a subnotificação das ocorrências de importunação ofensiva ao pudor”. “Através do monitoramento por câmeras de segurança e agentes infiltrados em vagões, a polícia civil observa e atua em caso de atitudes suspeitas.”

Quanto ao fato de haver mais casos registrados no Metrô do que na CPTM, a secretaria disse que isso ocorre porque “as linhas e estações da CPTM abrangem grande parte da Região Metropolitana São Paulo e não apenas a Capital”. “As ocorrências da Grande São Paulo são registradas nas delegacias de cada área, distribuindo os registros.”

Campanhas têm estimulado registro de ocorrência, afirma Governo

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, responsável pelo Metrô e pela CPTM, disse por meio de nota que as duas empresas “vêm intensificando suas campanhas de cidadania e conscientização e as ações de combate ao crime”. Segundo a pasta, isso “tem estimulado mulheres que passam por este constrangimento a registrarem denúncia e BO em delegacias de polícia”.

De acordo com a secretaria, desde o início da campanha “Você não está Sozinha”, no Metrô, em 2014, o número de relatos de abuso sexual recebidas pelo Metrô por meio de seu SMS-Denúncia tem crescido. “O número de registro de ocorrências saltou de 76 em 2013 para 120 em 2014 e 146 em 2015.”

O número do SMS-Denúncia do Metrô é o 97333-2252.

A pasta informou que, no Metrô, “foi criado um programa de combate ao abuso no qual todos os agentes de segurança e de estação passaram por treinamento para acolhimento das vítimas”. Segundo a secretaria, 9 em cada 10 suspeitos de abuso sexual são detidos pelos agentes de segurança do Metrô e encaminhados para as autoridades policiais.

Com relação à CPTM, a secretaria diz que também é feita uma campanha de conscientização, por meio de mensagens sonoras nos trens e estações e nas redes sociais. O número do SMS-Denúncia da CPTM é o 97150-4949.

Em 2015, seguranças da CPTM detiveram 92 suspeitos de abuso sexual.

Ainda segundo a secretaria, tanto no metrô quanto na CPTM, os canais de denúncia “garantem total anonimato” ao denunciante. Os agentes de todo o sistema metroviários também são treinados para auxiliar e a acompanhar a vítima até a delegacia, onde é feito o registro da ocorrência.

Fonte da Notícia: Fiquem Sabendo
Gráficos: Fiquem Sabendo 
Imagem: Metrô

terça-feira, 22 de março de 2016

Casos de assédio sexual no Metrô e na CPTM dobram nos últimos quatro anos

Os casos de assédio sexual em trens do Metrô e da CPTM dobraram nos últimos 4 anos. O SPTV teve acesso aos dados pela Lei de Acesso à Informação. O número de casos de assédio passou de 80, em 2011, para 168, em 2015. Nesse período, foram registrados dez estupros e 564 suspeitos acabaram detidos.
 
Para o Metrô, as campanhas de combate a esse crime têm ajudado as mulheres a criar coragem para denunciar. Já as mulheres dizem que não aguentam mais e por isso se recusam a ficar caladas.

Mulheres, que sabiam que estavam sendo gravadas, contaram casos à reportagem durante uma viagem no Metrô no horário de pico, quando os trens estão lotados. "Uma história de esbarrar e passar a mão. Você sabe que é na maldade. Mas eu consegui escapar”, disse a bancária Mainá Moratori.

Milena Trindade, auxiliar administrativa, afirma que sofre assédio frequentemente. “Toda semana acontece, principalmente quando a gente pega na Sé.  Eles aproveitam, eles colocam a jaqueta e ficam assediando", afirmou.

A recepcionista Priscila de Abreu foi vítima de abuso há treze anos, em um Metrô lotado. "O rapaz passou a mão em mim. Ele estava na parte de trás com o paletó nas costas. Eu falei com ele, dei uma cotovelada e saí do Metrô, na estação."

É difícil achar mulheres que nunca tenham levado um esbarrão mal intencionado no aperto do transporte público ou que não tenham visto uma situação como essa. A supervisora de vendas Patrícia de Freitas conta que usa a bolsa para se proteger. “Eu sempre coloco ela de lado e procuro ficar sempre de lado, pra ninguém ficar encostando. Se eu vejo algum homem próximo, eu tento sair de perto, com medo de assédio", afirmou.

A vendedora Priscila Ramos também já viu casos de assédio e ficou tão chocada que agora só pega o Metrô quando chove. "Depois que aconteceu isso, tipo assim, a gente fica com medo de acontecer com a gente, porque às vezes a gente não tem coragem de falar, de virar. A gente acaba aguentando por vergonha".

O Metrô tem uma campanha para incentivar as mulheres a denunciar os abusos desde 2014. Para o chefe de segurança do Metrô, Rubens Menezes, é por isso que o número de registros aumentou.

"Muitas ocorrências, você atende a mulher, atendia na verdade, e ela não queria fazer o registro. Hoje, nós fazemos todo um trabalho específico para estimulá-la a fazer o registro", afirmou.

Para Paula Medeiros, analista de treinamento, muitas mulheres já não aguentam os abusos caladas. "Eu acho que o fato de isso estar vindo à tona significa que a gente quer uma mudança. Uma mudança de comportamento, de ação, de punição também", disse.

Se você for vítima ou se perceber um caso de assédio nos trens, o melhor caminho é procurar imediatamente um funcionário do Metrô ou da CPTM na estação mais próxima.

Fonte da Notícia: G1-SP
Imagem: Catraca Livre

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

No Metrô de SP, trabalhadores criam subcomissão da CIPA para combater os assédios as mulheres

Na primeira reunião da CIPA da Linha 1 - Azul do Metrô de SP, os eleitos da agrupação Metroviários pela Base levaram a proposta da criação de uma subcomissão que tratasse dos assédios às mulheres sofridos todos dias dentro do metrô de São Paulo; são usuárias, funcionarias, trabalhadoras terceirizadas e jovens cidadãs que não podem mais deixar de ser ouvidas.

Toda a bancada dos trabalhadores eleitos abraçou a ideia proposta por nós do Metroviários pela Base e defenderam a criação da mesma frente a bancada da empresa.

A aprovação se deu depois de um debate intenso com a bancada da empresa, que tentou secundarizar a questão dizendo que a CIPA já trata da saúde da mulher não enxergando que o assédio às mulheres se trata de um assunto específico, e sugeriu que se tratasse desse assunto em alguma subcomissão já existente. Quando posto que se trata de uma questão específica que não pode ser secundarizada ou negligenciada mais, como tem sido feito, a empresa teve que aceitar a criação da subcomissão de saúde e proteção às mulheres.

A existência dessa nova subcomissão se trata de uma grande vitória da categoria metroviária; iniciativa que deve ser reivindicada e posta em prática nas outras CIPAs do Metrô. A subcomissão na Linha 1 - Azul do Metrô será formada inteiramente por mulheres: as únicas três eleitas, o que já denuncia o caráter machista, onde as mulheres não possuem voz e representação em ambientes públicos, e outras três funcionárias indicadas pela empresa.

As usuárias, as metroviárias, terceirizadas e Jovens Cidadãs devem saber que a partir de agora possuem uma subcomissão para buscar, um local para denunciar os assédios cometidos, onde buscaremos combater a passividade da empresa diante desse absurdo, e denunciar a conivência do Estado de São Paulo nos cada vez mais recorrentes casos de assédio.

Luta contra o machismo

Chegamos ao mês de dezembro depois de protestos em que as ruas foram fechadas por inúmeras mulheres contra a criação da PL 5069 - projeto de lei que tem entre os criadores Eduardo Cunha e Padre Ton, do PT que ataca direitos mínimos conquistados com muita luta, como a distribuição da pílula do dia seguinte e o aborto nos casos em que a mulher foi vitima de estupro- e indo por mais, trazendo a bandeira da legalização do aborto. Na América Latina, milhares de mulheres foram as ruas contra o feminicídio e pedindo "Ni una menos" (Nem Uma a Menos).

E no Metrô de São Paulo as mulheres também tomam voz e denunciam os inúmeros assédios sexuais que acontecem diariamente dentro dos trens, desde o começo do ano os números de denúncia aumentaram consideravelmente.

A empresa responde as reivindicações com uma campanha ineficiente e dando a nós funcionários um treinamento tão ineficaz, que soa como piada, em que o supervisor da estação liga aos funcionários e pede a eles que leiam a campanha que está no mural: uma sulfite cor de rosa com passos, que devemos seguir.

Ao mesmo tempo, a empresa não atende as reivindicações das metroviárias que pedem a criação de uma cartilha interna, distribuída amplamente, que chegue a todos os funcionários conscientizando a categoria do que é o assédio sexual - que não é apenas o assédio físico, mas também aquele assédio verbal transvestido de elogio -, o kit de troca de roupa para atender as usuárias que tiveram as roupas sujadas por esperma, e precisam apresentar isso como prova na delegacia, contratação de mais funcionários para que possamos atender de forma plena as usuárias vítimas de assédio - a empresa apresenta em sua campanha que há mais de mil agentes de segurança para atender as vítimas de assédio, mas sabemos que esse número é insuficiente até para ter duplas em cada estação do Metrô.

Diante desse cenário no Metrô não podemos mais suportar que a empresa naturalize, secundarize e negligencie o assédio às mulheres. A partir da CIPA, da criação dessa nova subcomissão de saúde e proteção às mulheres, mesmo reconhecendo suas limitações, tentaremos combater e cobrar da empresa ações nesse sentido.

Fonte da Notícia: Esquerda Diário 
Imagem de Anne Barbosa